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Valor Online, 12 de Maio de 2008 - A maior metrópole da América Latina paga um alto preço por sucessivos governos que deram prioridade ao transporte individual. Nos últimos 40 anos, grandes obras foram construídas sob essa perspectiva, o que provocou um estrangulamento do tráfego. Algumas soluções funcionaram até os anos 80. Mas de lá para cá, a situação só se agravou.
Cortada por túneis, viadutos e carregadas vias expressas, São Paulo foi sendo desenhada com soluções de engenharia que já não permitem o livre deslocamento dos seus habitantes, pela simples razão de que existem circulando hoje cerca de 6 milhões de veículos. "A preocupação dos vários governos paulistanos foi abrir vias sem se preocupar com o espaço urbano. Isso provocou um prejuízo à auto-estima da cidade, pois se transformou em um monstro de concreto que não garante o livre deslocamento. Esse modelo se esgotou", afirma o arquiteto Marcelo Ferraz.
Em razão desse estrangulamento e da falta de espaço, existe um certo consenso de que o futuro das obras viárias na cidade será subterrâneo. "Primeiro, porque se for feita a conta per capita e não em valores absolutos, o metrô é mais barato que a opção de veículos. Afinal, enquanto os vagões têm a capacidade de transportar 60 mil pessoas por hora, com ônibus, essa média cai para 20 mil por hora enquanto o automóvel fica em 2,6 mil por hora", afirma o arquiteto Cândido Malta, que foi secretário de planejamento dos governos Olavo Setúbal e Reinaldo de Barros entre 1976 e 1981. |