Português
Português | English
English
Home
Binswanger in English
Project Connect


Construção civil aposta em terrenos industriais para crescer em São Paulo

5/25/2008

O Globo, 25 de Maio de 2008 - Vivendo um de seus melhores momentos na história, o setor imobiliário brasileiro encontra um entrave na cidade de São Paulo: a falta de espaço. Bloqueada de quase todos os lados por outras cidades, a capital paulista não tem para onde se expandir. A resposta de construtoras e incorporadoras à questão tem sido fazer a cidade 'crescer para dentro' - ocupando áreas deixadas pelas indústrias.

"É uma solução de desenvolvimento para uma cidade que está densamente ocupada e que não tem mais para onde ir. Os terrenos das indústrias são dos poucos espaços de maior expressão que a cidade tem para crescer", diz Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), empresa privada especializada em consultoria na área imobiliária.

A readequação de espaços está redefinindo bairros inteiros da cidade, como a Mooca, a Barra Funda e a Chácara Santo Antonio. Nessas regiões, indústrias e galpões dão lugar a grandes empreendimentos residenciais e comerciais, promovendo um adensamento e uma reurbanização.

Custo alto e centralidade
Os custo crescentes da mão-de-obra, IPTU, seguro, e as dificuldades de transporte, que pioram a cada dia, 'expulsam' as indústrias da capital para o interior ou para outros estados. "Além disso, muitas sofreram pressões da população ao redor para sair, por conta da poluição", diz o advogado tributarista Ivan Tauil.

Na saída, as empresas aproveitam para se capitalizar com a venda desses terrenos – só nos últimos cinco anos, o preço médio do metro quadrado na cidade subiu cerca de 50%.

O presidente da Embraesp aponta, ainda, que muitas das construções industriais paulistanas estão ultrapassadas diante das novas exigências de mercado. "Há uma série de tecnologias que essas construções antigas não atendem. Hoje, é preciso um piso mais reforçado, um pé-direito mais alto que antigamente", diz.

A lógica que tira indústrias da cidade é a mesma que traz novos empreendimentos. "Essa debandada das fábricas está gerando negócios para nós. Estamos precisando desses espaços", reconhece o diretor da Gafisa.

Foi o que aconteceu com o local ocupado pela fábrica de chocolates da Kopenhagen, no Itaim Bibi. Em 1996, a indústria transferiu a operação para Barueri, na Grande São Paulo, dando lugar ao Brascan Century Plaza, um complexo residencial e de serviços. No Paraíso, no lugar da antiga fábrica da Brahma, hoje há um grande empreendimento residencial recém-completado. Outra cervejaria, a Antarctica, abriu espaço para um condomínio no Butantã.