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Ajuste de expectativas

12/8/2008

Revista Construção de Mercado, 08 de dezembro de 2008 - Os efeitos da crise financeira internacional alteraram o desempenho previsto para 2009 no mercado imobiliário residencial e comercial brasileiro. Disso não há dúvida. Antes resumidas em "crescimento vertiginoso", as projeções de hoje, do Sul ao Norte do País, revelam um "cenário de ajustes" em relação ao movimento de boom observado a partir de meados de 2006. Mas se as proporções não são as mesmas, o otimismo permanece, e os mercados de todo o País seguem crescentes no novo ano que se inicia.

Essa é a opinião das lideranças setoriais consultadas para esta reportagem. Juntos, os especialistas dão conta das oportunidades e desafios de 12 das principais regiões brasileiras. Entre elas, uma mesma aposta assegura a bem-vinda estabilidade da demanda: a certeza da disponibilidade dos recursos da Poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para financiamento e investimento no setor habitacional. Segundo confirmou o Ministério do Trabalho e Emprego, só o FGTS passará dos atuais R$ 6 bilhões para R$ 11,5 bilhões.

Em relação à oferta, entretanto, pode haver retração. As barreiras à captação de crédito e de recursos e a postergação de lançamentos imobiliários (em alguns casos até cancelamento) já são percebidas por quase a totalidade das lideranças. No Nordeste, por exemplo, o número de lançamentos deve cair até 90%. Segundo a Adit Nordeste (Associação de Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro), o motivo é a saída de empresas aventureiras do mercado. Já no Rio de Janeiro, o impacto veio da queda das cotações das incorporadoras listadas na Bolsa, as pesadas investidoras da região. O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) também reviu seus cálculos para 2009. A entidade prevê crescimento entre 4% e 5% do PIB da construção em 2009, caso o PIB nacional cresça 3%.

Mas se os ventos turbulentos dos mercados financeiros e de capitais dão novo norte ao setor, também parecem encaminhar o mercado rumo a um destino mais sustentável. É unânime, entre os consultados, que o novo momento traz novo fôlego à adequação da oferta de materiais, equipamentos e mão-de-obra às necessidades da demanda, ajustando as expectativas e estimulando a criação mais assertiva de produtos. Nas próximas páginas, confira as expectativas de cada região.