Diário do Nordeste, 11 de dezembro de 2008 - Na contramão da crise, o setor tem se mostrado resistente e confiante. Para André Montenegro, vice-presidente do Sinduscon-CE, as turbulências econômicas apenas atrapalharam as expectativas de crescimento do setor. “Alguns lançamentos foram desfeitos mas as construtoras já percebem que o susto passou. Para 2009, nossa previsão anterior à crise era de ultrapassar o desempenho deste ano. Agora, acreditamos que no próximo ano poderemos repetir o crescimento de 2008, que deve ficar em torno de 50% no volume de lançamentos”.
O otimismo, segundo Montenegro, é reflexo de ações tomadas durante a crise.
“Além do nosso empenho, há um esforço do governo Federal, que lançou novas linhas de crédito pela Caixa Econômica estabilizando a taxa de juros. Em alguns casos a taxa foi até reduzida”, explicou.
As instituições bancárias também mantiveram os prazos aplicados durante os últimos meses nos empréstimos para aquisição de imóveis. No financiamento direto com a construtora, o período ainda pode chegar a 70 meses.
A Magis Incorporações acredita na estabilidade do mercado imobiliário e na oferta de crédito, tanto para as empresas como para o consumidor. “Continuamos firmes na visão de que o mercado imobiliário cearense se sairá bem da crise e que, ainda em 2009, veremos uma forte reação nas vendas. Isso se deve aos nossos produtos não terem sofrido qualquer alteração nas taxas de juros e nos prazos de financiamento, por estarem ligados a Caixa Econômica Federal”, explica Deda Studart, presidente da incorporadora.
Já o diretor da Viva Imóveis, Paulo Angelim, acredita que a maior ameaça não está na economia, mas sim na repercussão que a crise tem trazido nos últimos meses. “Nesse momento, é papel das imobiliárias e corretores fazer os clientes focarem na realidade. Vivemos um momento excelente de compra imobiliária, configurado pelas promoções das construtoras, e pela redução dos juros”.
Panorama
Em 2009, a construção civil deve gerar no País, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, 1,37 milhão de vagas, com base em recursos ligados a programas do governo (habitação popular, saneamento básico e obras de infra-estrutura urbana). A liberação orçamentária estimada para tais projetos é da ordem de R$ 25,3 bilhões. A flexibilização no uso do FGTS, que deve ser anunciada ainda este ano, deverá ser mais uma ação do governo no sentido de garantir financiamento à construção civil. De janeiro a outubro o setor bateu recorde para o período com a oferta de 303 mil novos empregos em todo o país. Em igual período de 2007, o saldo positivo de contratações no setor foi de 194,8 mil.
EM MARÇO
Simc promete confirmar boa fase do setor imobiliário
O otimismo do setor da construção civil também deverá ser percebido no Salão Imobiliário Ceará (Simc 2009), versão regional dos grandes salões imobiliários do circuito nacional, que será realizado de 25 a 29 de março de 2009, no Centro de Convenções do Ceará. O evento é promovido e organizado pela 2LA Eventos com apoio do Sinduscon-CE, Governo do Estado do Ceará e do Diário do Nordeste.
O salão irá congregar as maiores construtoras nacionais e locais, imobiliárias, incorporadoras, e demais empresas do setor. O evento tem como objetivo incluir o Ceará no calendário dos grandes salões imobiliários, gerar negócios, fortalecer as marcas das empresas participantes, entre outros.
“Estamos com 80% do salão vendido. Devem participar mais de 50 construtoras e esperamos um público de 50 mil pessoas. Serão gerados entre 120 e 150 milhões de reais em negócios”, adiantou Louvimar Araújo, diretor da ZLA.
A expectativa é de que as construtoras, incorporadoras e corretores cearenses confirmem o cenário promissor de 2009 durante o evento. “Vai refletir o bom momento do setor imobiliário”, apostou André Montenegro, vice-presidente do Sinduscon-CE.
GUTO CASTRO NETO
Diário do Nordeste