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Valor Econômico Online, 19 de novembro de 2008 - As empresas de shopping centers já admitem adiar a construção de empreendimentos que foram anunciados devido à crise no sistema de crédito. Em vez de realizar investimentos, as companhias vão preferir o proteger o caixa em 2009. O diretor de relações com investidores da BR Malls, Leandro Bousquet, afirmou ao Valor que "talvez ocorram mudanças" no cronograma de inaugurações previsto pela companhia, que possui atualmente cinco projetos "greenfield" (construção a partir do zero) na prancheta.
Em suas demonstrações financeiras, a BR Malls estima investimentos futuros de R$ 713,9 milhões, dos quais R$ 420 milhões serão destinados aos empreendimentos "greenfield". A empresa possuía em caixa, no dia 30 de setembro, R$ 757 milhões e suas aplicações financeiras tiveram uma rentabilidade média de 103% do CDI no terceiro trimestre.
A JHSF também decidiu adiar a construção de alguns empreendimentos e enxugou recentemente o quadro de pessoas, sobretudo na área de novos negócios. "Devido ao novo quadro conjuntural, está sendo feita uma reavaliação das datas mais apropriadas para os próximos lançamentos", informou a JHSF, por e-mail. A construtora dispensou aproximadamente 40 pessoas, mas afirma que não estão previstas novas demissões.
Embora seja uma construtora de imóveis comerciais e residencias, a JHSF vem investindo fortemente em shoppings. A companhia previa, em junho, inaugurar ao todo 200 mil metros quadrados de ABL (área bruta locável) de shopping centers nos próximos anos, uma das maiores áreas em construção no setor. Entre os novos shoppings previstos encontram-se um em Belém e outro em Manaus.
Os resultados no terceiro trimestre, porém, ainda não mostram sinais para preocupação. As lojas continuaram cheias e a indústria de shoppings ainda prevê que, neste Natal, as vendas crescerão pelo menos 9,5% em relação a 2007. Espera-se que a taxa de expansão do varejo seja semelhante à registrada no Natal passado.
"Mas o primeiro trimestre de 2009 pode ser um divisor de águas", afirma Alessandro Veronezi, diretor de relações com investidores da General Shopping. Os três primeiros meses já são, sazonalmente, os piores para o varejo em todo o ano. Em 2009, com a crise, eles podem ser ainda mais amargos, o que está causando apreensão. "Só saberemos se as empresas de varejo vão pisar no freio depois do primeiro trimestre", acrescenta o executivo, que afirma que também "está atento" . Assim como a BR Malls e a JHSF, a General Malls disse que manteve os seus planos, mas que também adiará a construção dos novos shoppings se for preciso.
Segundo Bousquet, da BR Malls, a carteira de clientes (lojistas) da companhia é bastante pulverizada, diferentemente do que acontece no mercado americano, onde a quebra da rede Circuit City afetou as empresas do setor, como a DDR e a GGP. "Nosso maior cliente representa apenas 3% das vendas" , disse Bousquet. Na General Shopping, as 10 maiores redes respondem por 9% do faturamento.
No terceiro trimestre, as quatro empresas de shoppings listadas na bolsa registraram crescimentos de dois dígitos na receita com aluguel e serviços. A Multiplan registrou uma receita bruta de R$ 111,5 milhões, 19,7% maior. A receita bruta da BR Malls cresceu 38,4% sobre igual período de 2007, totalizando R$ 88,5 milhões. No grupo Iguatemi, a receita aumentou 50,7% entre julho e setembro, atingindo R$ 53,7 milhões. A receita da General Shopping aumentou 57,6%, alcançando R$ 22,3 milhões. |