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Cidades, seus problemas e soluções

12/4/2008

Gazeta Mercantil, 04 de dezembro de 2008 - Esses dados são resultado de uma pesquisa feita sobre a capital paulista, o Rio de Janeiro, Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Lima (Peru) e estão sendo apresentados durante a conferência Urban Age, que começou ontem e segue até amanhã, em São Paulo. O principal evento internacional de urbanismo do mundo conta com a participação de cerca de cem líderes, entre políticos, arquitetos e engenheiros.

"Queremos que as cidades encontrem as soluções mais adequadas para os seus problemas. Isso não significa que a resposta para São Paulo seja a mesma da de Londres, mas é importante discutir cada experiência. Os governos precisam entender que se as cidades fracassarem, o país fracassa", afirma Wolfgang Nowak, diretor da Alfred Herrhausen Society Deutsche Bank.

Em nome do banco, Nowak entregou ontem o prêmio Deutsche Bank Urban Age Award de US$ 100 mil ao projeto "Do Cortiço da Rua Solón ao Edifício União". O dinheiro vai ser usado por estudantes da Faculdade de Arquitetura de São Paulo (FAU) para aprimorar um edifício construído na década de 1970, que permanece inacabado por causa da morte do construtor. Hoje, ele é ocupado por 73 famílias que vivem em condições precárias.

"As cidades apresentam inúmeros desafios, mas também inúmeras oportunidades", diz Richard Burdett, professor de Arquitetura e Urbanismo da London School of Economics e Diretor do programa Urban Age. Segundo ele, a capital paulista compartilha com Londres, Xangai, Paris e Mumbai as dificuldades em lidar com as mudanças climáticas e a desigualdade social. "Nossas conferências não dão, de forma alguma, as soluções prontas, até porque nós não as temos. Cada cidade precisa de respostas diferentes", avalia.

A questão do trânsito em Londres, por exemplo, foi resolvida com a implantação do pedágio urbano. Já em Bogotá, a saída foi a construção de corredores de ônibus e pistas de bicicletas. Outro caso é o de Nova Delhi que apresenta níveis elevados de poluição. Há três anos, o chefe ministerial trocou o combustível dos ônibus de derivado de petróleo para o gás natural e a emissão de gases poluentes foi reduzida drasticamente.

Este cenário de melhorias só apresenta resultados a longo prazo, apesar de os investimentos precisarem ser feitos imediatamente. E a atual conjuntura econômica, que poderia atrapalhar esses planos, pode ser, na verdade, a solução. Segundo Burdett, nas últimas quatro semanas, o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, têm insistido na importância de se investir em projetos públicos. "A grande lição depois da quebra da Bolsa em 1929 foi essa: o governo precisa investir não só em construções e rodovias, mas também em iniciativas que ajudem a cidade como um todo", afirma.

Para ele, os recursos nunca virão do setor privado, a não ser em casos de parcerias público-privadas. Burdett lembra também que os americanos voltaram a falar em construir estradas de ferro e que o mundo acordou para a energia renovável. "Esse é o momento de se investir em infra-estrutura e serviços públicos", acrescenta Nowak.

As cidades consomem 75% da energia mundial e contribuem com 75% da emissão de gás carbônico. Se cada uma reduzisse esse percentual em 15%, diminuindo, por exemplo, o número de carros movidos à gasolina, as condições climáticas melhorariam bastante. Outra solução criada por Burdett é reduzir a dimensão das cidades. Ele explica que Nova York tem a mesma população de Londres, mas com a metade do tamanho. Assim, é bem mais fácil se locomover para a escola ou trabalho. "

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