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Prefeitura pára grande obra na zona sul

2/4/2005

Jornal de São Paulo, 04 de fevereiro de 2005 - A Prefeitura suspendeu por cem dias a construção de duas pontes que ligarão a Avenida Roberto Marinho à Marginal do Pinheiros, na zona sul. Segundo a Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), a interrupção da obra do Complexo Viário Jornalista Roberto Marinho segue a orientação do prefeito José Serra (PSDB) de reavaliação dos contratos do Município.

Além disso, a Emurb alega que os R$ 35 milhões arrecadados em um leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) não são suficientes para a continuação dos trabalhos, já que o complexo está orçado em R$ 162 milhões. Outro problema é o risco de o projeto sofrer alterações técnicas que acarretariam perda dos serviços executados.

A construção desse complexo faz parte da Operação Urbana Água Espraiada, considerada prioritária pela administração Serra e pela de sua antecessora, Marta Suplicy (PT). A verba para as obras não saiu dos cofres públicos, e sim da venda dos Cepacs. No leilão que arrecadou os primeiros recursos para o complexo, em julho, a Emurb vendeu 100 mil certificados. Autorizada desde o ano passado pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) a pôr à venda mais 660.468 Cepacs, a Emurb não tem previsão de quando haverá outro leilão - apesar de estimar que será possível arrecadar em torno de R$ 1,125 bilhão.

Publicada no Diário Oficial na quarta-feira, a interrupção da obra não incomodou o Conselho Gestor da Operação Urbana Água Espraiada. "Concordamos com a parada estratégica, mas a ponte precisa ser terminada", disse Cibele Sampaio, presidente da Associação dos Amigos e Moradores do Brooklin Novo, que criticou a gestão Marta por não ter seguido a orientação do conselho. "A ponte seria um problema a mais para nós. Tínhamos como prioridade um projeto habitacional na Favela Jardim Edite, que beira a avenida, e o seu prolongamento até a Rodovia dos Imigrantes".

Em nota a assessoria da antiga gestão da Emurb afirmou que não há justificativa técnica para a paralisação da obra. Quanto à questão de a verba arrecada ser inferior ao custo da obra, declarou que outros leilões podem assegurar a conclusão sem ônus aos cofres públicos.

INVESTIMENTOS

Nem a notícia de um eventual atraso tirou o ânimo das construtoras interessadas em investir na região. Dois novos empreendimentos serão anunciados nos próximos meses. A antiga fábrica da Lacta, que fica entre as Avenidas Roque Petroni Júnior e Jornalista Roberto Marinho, vai virar um grande condomínio residencial. O terreno tem 17 mil metros quadrados e foi negociado pela empresa Binswanger Brasil, que estima o investimento total no condomínio em R$ 200 milhões.

Para o diretor da Binswanger Brasil, Luiz Antonio Graça, as obras da Prefeitura estimulam o mercado. "Sem dúvida os imóveis ficarão mais valorizados. Acho difícil que a obra pare por definitivo, está em um estágio muito avançado", afirma. O outro novo empreendimento também foi negociado pela Binswanger e fica ainda mais próximo do complexo: serão dois prédios residenciais e um comercial na esquina da Marginal do Pinheiros com a Rua Flórida.