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No Rio, com preço de Manhattan

11/16/2007

Jornal JB, 16 de Novembro de 2007 - O mercado de imóveis comerciais de luxo no Rio está próximo de sofrer o estouro de uma bolha imobiliária. O aquecimento da economia atraiu grandes investidores, mas a escassez de imóveis de alto padrão impede que as empresas se instalem no Rio. Como resultado do descompasso entre oferta e demanda, o preço do metro quadrado corporativo de luxo cresceu 66% nos últimos dois anos e já é o sétimo mais caro do mundo.

A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela consultoria Binswanger Brasil nos Estados Unidos e nas principais capitais da América Latina, Europa e Ásia. De acordo com Rafael Camargo, diretor da consultoria, desde o início da década de 90 a demanda para ocupação de espaços corporativos triple A (alto luxo) vive um período de expansão em todo o mundo, como resultado da melhoria do cenário macroeconômico. Mas no Rio, os valores surpreendem: o aluguel na cidade já custa mais caro que em Frankfurt, Berlim, Madri e Xangai, e está cada vez mais próximo da supervalorizada Manhattan, em Nova York.

- Hoje, a média de preços do metro quadrado para locação na cidade do Rio oscila entre US$ 25 e US$ 61, mas há áreas em que já custa US$ 100 - diz Camargo. - Há dois anos, nenhum inquilino pagava mais que US$ 45 pelo metro quadrado de um prédio triple A.

Rafael Camargo explica que o Rio vive hoje situação semelhante à de Nova York. O aumento de vagas de emprego provocou a absorção quase absoluta do espaço corporativo e, como consequência, gerou a queda das taxas de vacância e a alta de preços. De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, este ano o Rio atingiu o melhor resultado em geração de empregos formais dos últimos 20 anos. De janeiro a setembro de 2007, foram criados 102.181 novos postos de trabalho formais - 18% a mais que o mesmo período de 2006.

O fenômeno da bolha imobiliária ocorre quando os preços dos imóveis atingem patamares muito acima do valor real, mas os inquilinos continuam dispostos a pagar. Com a pressão da demanda, os valores seguem em franca ascensão, o que desencadeia a crise no setor.

- Na Europa, os valores praticados na região central de Londres são os mais altos (variam entre US$ 103 e U$S 139) e estão aumentando gradativamente graças à falta de novo estoque - destaca Rafael Camargo. - Em Paris e Madri, a taxa de vacância também está caindo, o que comprova o aquecimento mundial do mercado de imóveis corporativos de luxo.

A pesquisa revela ainda que na América Latina, Brasil e México lideram o crescimento da demanda por imóveis comerciais de alto padrão. Rio e São Paulo têm o valor de metro quadrado mais caro do continente - superam Buenos Aires, Santiago e a Cidade do México.

- Embora o valor máximo de São Paulo seja maior que o do Rio, na média, alugar um prédio de alto padrão na Cidade Maravilhosa é mais difícil e custa mais caro - compara o diretor da Binswanger Brasil. - A explicação é geográfica: o Centro do Rio está saturado e os terrenos que ainda estão disponíveis estão localizados em regiões sem infra-estrutura. A única solução para as grandes empresas se estabelecerem no mercado carioca é o retrofit (restauração e modernização de edifícios).

Atualmente, pelo menos três prédios triple A estão sendo restaurados por grandes empresas no Rio. O Torre Almirante, que será ocupado por três mil funcionários da Petrobras, o Centro Empresarial Cinelândia e o Standard Building, no Flamengo.