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Ocupação sobe, mas desconto continua
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Ocupação sobe, mas desconto continua

2/5/2006

Após longa temporada de desequilíbrio entre muitos escritórios vazios e poucos querendo ocupá-los, 2005 sinalizou a retomada do interesse pela locação.

No ano passado, o setor de alto padrão cresceu 8% em São Paulo, segundo estudo divulgado na semana passada pela consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle.

O número se apóia em três variáveis: vacância, ou percentual de escritórios vagos em relação ao estoque total (caiu de 23,8% em 2004 para 21,07% em 2005), valor de locação e absorção líquida, ou nível de ocupação (diferença entre a atual e a do ano anterior).

A vacância foi o único índice que melhorou, resultado de expectativas otimistas de empresários com a economia e da freada dos lançamentos comerciais.

A Barra Funda, a av. Paulista e a av. Engenheiro Luiz Carlos Berrini foram as áreas onde a vacância mais caiu no último trimestre. O aumento da ocupação foi maior, respectivamente, na Vila Olímpia, na Faria Lima e na Paulista.

Os dois outros indicadores demonstraram ligeira queda. A taxa de absorção (125 mil m2) cresceu menos do que em 2004 (127 mil m2). A média do valor de locação foi de R$ 47 o m2, contra os R$ 49 de 2004. Os comerciais mais caros, segundo o levantamento, são os da Vila Olímpia (R$ 59 o m2) e os da av. Faria Lima (R$ 58 o m2).

Segundo Clarisse Etcheverry, gerente da área de consultoria, avaliação e pesquisa da Jones Lang LaSalle, o reaquecimento da procura deve aumentar em até 10% o valor pedido de aluguel.

Mas isso não significa que as cifras negociadas aumentem tanto na hora de fechar novos contratos. "O grande estoque de salas desocupadas ainda não permite que os valores subam. A tendência é que os aumentos ocorram no ano que vem", analisa André Costa, 36, diretor comercial da consultoria imobiliária GlobalRES.

Para ele, no primeiro semestre será possível negociar descontos em algumas regiões. "Os preços ficarão estáveis", concorda Miguel Giacumo, 43, diretor da Binswanger (serviços imobiliários).

Acima do IGP-M
Outra pesquisa, da imobiliária Hubert, que engloba também comerciais de nível médio (avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima e centro), aponta que os preços dos aluguéis de escritórios subiram mais do que o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) em 2005: 3,49%, em média, contra os 1,21% do índice.

Na região da avenida Paulista, o aumento foi maior: 7,31%. "A demanda foi maior que a oferta", explica Hubert Gebara, 69, diretor da Hubert. Ele diz que o valor de novos aluguéis seguirá o IGP-M.

Novas regiões começam a despertar o interesse das empresas, como centro, Barra Funda, Moema e Alphaville. "Algumas, como a Barra Funda, começam a abrigar serviços operacionais, como "call centers", enquanto os executivos permanecem nas regiões nobres", explica Etcheverry. (BRUNA MARTINS FONTES)