Valor Econômico, 08 de junho de 2009 - Rioprevidência, autarquia que administra o regime previdenciário próprio do Estado do Rio de Janeiro, recolocou à venda um de seus mais valiosos ativos imobiliários. Com 5.930 metros quadrados divididos em cinco andares, o Espaço Leblon, prédio comercial localizado em uma das áreas mais nobres da zona sul carioca, vai a leilão no próximo dia 30, a um preço mínimo de R$ 75 milhões. Essa é a segunda vez que a entidade, gestora do fundo estadual de mesmo nome, tenta vender o espaço, contíguo ao shopping Leblon e repassado ao seu patrimônio pelo governo do Rio, como parte dos ativos garantidores das aposentadorias dos servidores do Estado. A primeira tentativa, ocorrida em janeiro de 2009, foi frustrada. Nenhum comprador apareceu, "sem dúvida" por causa dos efeitos da crise internacional de liquidez e de crédito vista desde setembro de 2008, acredita Wilson Risolia, presidente da Rioprevidência.
"As pessoas e empresas que possuíam recursos financeiros optaram por mantê-los em caixa, à espera de uma estabilização dos mercados e redução das incertezas em relação ao futuro", acrescentou ele, em entrevista ao Valor. Risolia entende que o arrefecimento da crise já permite retomar os planos de alienação, mas não de acordo com o modelo inicialmente escolhido.
Em janeiro, a Rioprevidência tentou fazer uma venda associada à formação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII). A intenção era ficar com 20% desse FII, que, por sua vez, ofertaria as demais cotas a outros investidores, interessados em explorar comercialmente o imóvel (com instalação e aluguel de lojas e escritórios, por exemplo).
A venda programada para dia 30 de junho é diferente e simples, pois não envolve criação de fundo nem de qualquer outro instrumento de mercado financeiro. O fundo previdenciário venderá o imóvel todo, de uma vez só, ao concorrente que oferecer o melhor preço.
A simplificação do modelo, que deve tornar a venda mais fácil, foi decidida em função da necessidade de compensar , ainda que parcialmente, a redução do fluxo de receitas do fundo. Uma das principais fontes de recursos da Rioprevidência são os royalties do Estado do Rio de Janeiro sobre a exploração de petróleo. E com a queda do preço internacional do barril do produto, a partir de meados do ano passado, a receita de royalties prevista para 2009 é cerca de R$ 2 bilhões inferior à de 2008.
O Espaço Leblon é primeiro de uma lista de imóveis a serem vendidos pela Rioprevidência. O fundo administrado pela autarquia é dono de cerca de mil imóveis transferidos pelo Estado, com valor contábil de R$ 330 milhões.
Os ativos totais do fundo Rioprevidência chegavam, no fim de março, a R$ 50 bilhões, dos quais R$ 34,8 bilhões correspondiam a recebíveis de royalties (o Estado comprometeu-se a colocar no seu regime previdenciário próprio a receita futura daí decorrente). Como entidade de previdência, a do regime próprio do Estado do Rio é a maior em população beneficiada (cerca de 450 mil pessoas entre servidores e dependentes). Em ativos, só perde para a Previ, patrocinada pelo Banco do Brasil, que em março tinha ativos superiores a R$ 116,7 bilhões.