Jornal Uai – Lugar Certo, 08 de junho de 2009 - O investidor em imóveis Orlando de Oliveira Reis comprou um terreno de 215 metros quadrados na Avenida Úrsula Paulino, no Bairro Betânia, Região Oeste de BH, por R$ 130 mil em 2001. Investiu cerca de R$ 350 mil na construção de um prédio de três andares, concluído em 2004. O primeiro andar foi ocupado por um feira popular; o segundo, por um clínica odontológica; e o terceiro, o terraço, está desocupado. O empreendimento, diante da ocupação da avenida, é cotado hoje em R$ 2,5 milhões. “Comprei sabendo que o bairro ia crescer. Não imaginava que iria valorizar tanto”, comemora. “Os terrenos que temos aqui caíram como luva no programa do Lula e aumentou a especulação. As pessoas querem vir para cá por causa da facilidade de acesso, do comércio, escolas públicas e postos de saúde”, completa Reis.
Próximo à avenida, na Rua Mangueiras, existem poucas, mas boas áreas para atender o apetite das construtoras. De um lado, a Prefeitura de Belo Horizonte ergue o Conjunto Habitacional Mangueiras, para abrigar 144 famílias. O investimento municipal, de R$ 4,8 milhões, foi aprovado pelo Orçamento Participativo da Habitação. Do outro lado, o terreno vazio já tem dono. A MRV teria comprado a área para construção de apartamentos de até R$ 100 mil, ou seja, que podem ser vendidos com subsídio do governo federal. A notícia fez com que o preço do galpão vizinho, de 240 metros quadrados, onde funciona uma empresa de som para carros, subisse de R$ 200 mil para R$ 500 mil. “O preço dos imóveis por aqui subiu absurdamente”, diz o proprietário da loja, Ronaldo de Oliveira.
De olho no poder de consumo que pode ser gerado pelos novos moradores, um empresário ligado ao ramo farmacêutico comprou a casa de 215 metros quadrados da comerciante Leia Garófalo, localizada na Úrsula Paulino, e o terreno de mesmo tamanho que dá fundos para ele, por quase R$ 1 milhão. Ela sairá da residência em dois meses, dando lugar para o novo empreendimento. “As casas estão dando lugar ao comércio. E está sendo tudo muito rápido”, conta.
O gestor executivo de vendas da MRV, Sandro Perin, já explicou que terrenos que compraram no ano passado hoje não venderiam com valorização inferior a 100%, se quisessem. Esse, inclusive, é um dos motivos que também tem levado à alta nos preços dos apartamentos cotados em menos de R$ 100 mil.