Olhar Direto, 17 de junho de 2009 - Cidades em pleno desenvolvimento como Sorocaba, Jundiaí, Votorantim - entre outras ao longo dos complexos Raposo-Castello e Anhanguera -Bandeirantes - estão sendo procuradas para construções residenciais e comerciais.
O maior mercado imobiliário da América Latina - instalado na Grande São Paulo, formado pela Capital, região do ABC e demais cidades satélites - procura adaptar-se aos novos tempos: nos últimos cinco anos passou a pesquisar e investir em imóveis distantes de 60 a 150 quilômetros da Praça da Sé (o Marco Zero) e, após todas as facilidades ofertadas pelo programa 'Minha Casa, Minha Vida...', aposta também nos segmentos mais populares de construção, atingindo também almejados compradores das classes C e D.
Importante notar que o último levantamento divulgado pela Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) - que possui o mais completo banco de dados sobre imóveis do Estado - o destaque quanto à localização da produção imobiliária não foi a cidade de São Paulo. O topo ficou com a cidade de São Bernardo, onde foram registrados lançamentos de 4.999 casas e apartamentos - cuja área total somada resulta em 944.707 metros quadrados. Por outro lado, o bairro que mais reuniu lançamentos foi um dos mais nobres e caros da cidade (o Morumbi). As duas informações são emblemáticas: 1) São Bernardo foi destaque porque, na Capital paulista, cada vez mais é restrito espaços novos para construção - há que se derrubar áreas deterioradas para novos empreendimentos ou comprar vilas de casas antigas para erguer edifícios. 2) O resultado do última pesquisa (de 2007, divulgada no ano passado) apresentou o Morumbi na frente dos bairros, mostrando a tendência da supremacia de imóveis de alto padrão - isso até o começo de 2008.
Os técnicos da Embraesp admitem: cada vez mais são solicitados a avaliar regiões no 'interior próximo' para embasar projetos de empresas interessadas em construir prédios de apartamentos de 2, 3 ou 4 dormitórios, bem como para instalação de shoppings e expansão de supermercados. Por isso mesmo, cidades em pleno desenvolvimento como Sorocaba, Jundiaí, Votorantim - entre outras ao longo dos complexos Raposo-Castello e Anhanguera-Bandeirantes - estão sendo procuradas para construções residenciais e comerciais. Construtoras como Goldfarb, Cyrela e Tecnisa; vendedoras como Abyara, Fernandez Mera e Itaplan passaram a investir no 'interior com forte potencial'.
Ao longo de 2008, o deslocamento do eixo produtivo da Capital para o Interior passou a ser uma constante e, do segundo semestre de 2008 para o primeiro trimestre de 2009 - quando o projeto 'Minha Casa, Minha Vida...' saiu da prancheta dos gabinetes ministeriais de Lula, além de descentralizar a produção de casas e apartamentos, o mercado voltou os olhos para os imóveis usados e os novos - mas com perfil popular. Vendedoras que sempre ocuparam o top do ranking paulistano - como a Lopes Consultoria de Imóveis -, cuja clientela comprava imóveis acima dos R$ 100 mil a unidade, reformulou o foco: apartamentos na faixa de R$ 80 mil passaram a alimentar sua linha de ofertas.
A mudança de uma empresa como a Lopes foi, antes de tudo, reação à situação de mercado. No primeiro trimestre de 2009 as vendas da empresa somaram R$ 1,4 bilhão, contra algo em torno de R$ 2,8 bilhões a cada trimestre do começo de 2008. Do quadro de 7,2 mil corretores de imóveis no final de 2008, a empresa conta agora com cerca de 5 mil corretores - para se adaptar aos novos tempos. Nesse momento, a luz no final do túnel para construtoras, incorporadoras e vendedoras apontam para o interior de São Paulo numa frente, e os imóveis a preços menores em outra frente. Cabe lembrar que os empresários da área de habitação já fizeram as contas: o programa 'Minha Casa...' do governo tem a expectativa de aprovar 600 mil unidades até julho do ano que vem, numa operação de crédito imobiliária de R$ 45 bilhões.