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Escritório vira opção de investimento

6/29/2009

DCI, 23 de junho de 2009 - As incorporadoras perceberam um novo filão de negócios, depois do período de turbulência econômica, na comercialização de edifícios de salas comerciais, especialmente em São Paulo, mas a onda pode atingir outras capitais do País. Elas se apoiam no argumento de que tanto as experiências negativas do mercado de ações como a perda de rentabilidade de algumas modalidades de investimento fizeram dos imóveis uma opção mais segura de aporte.

Aliadas ao cenário econômico, elas procuram bairros com grande concentração de profissionais liberais, que queiram trabalhar perto de casa ou transferir seu negócio a prédios comerciais. Exemplo disso é a Alfa Realty Empreendimentos Imobiliários, que pretende faturar 50% a mais com a entrada no novo negócio, em 2009.

Outra que segue essa tendência e acelera as oportunidades é a Yuny Incorporadora, cujo prédio E-Office, de salas comerciais na região da Avenida Luiz Carlos Berrini (área tradicional de grandes corporações da capital paulista), lançado em dezembro passado, está hoje com quase 90% das unidades vendidas.

"Até a questão econômica gerou uma preocupação que fez com que pessoas que investiam em bolsa, partissem para aquisição de um imóvel comercial", comentou com o DCI Fábio Romano, diretor de Incorporação da Yuny, que incluiu que a compra de uma unidade corporativa traz, além do benefício da valorização imobiliária, a rentabilidade mensal, por conta das locações.

Para se ter uma ideia, o E-Office teve 50% dos espaços vendidos a investidores, a um preço médio de R$ 8,5 mil por metro quadrado. Com a aceleração das vendas, o início das obras foi antecipado quatro meses.

O executivo explicou que uma forma de atuar nesse mercado é efetuar a elaboração e a execução do projeto, e a partir daí poder alugar o prédio inteiro e vendê-lo a investidores, garantindo a rentabilidade deles com a compra. Outro empreendimento a ser lançado pela Yuny fica na região da Rua Atílio Innocenti, também concorrida área de escritórios.

Romano colocou que observa uma tendência do setor em trabalhar com os imóveis comerciais (além da atual onda dos residenciais econômicos), ao contar que mesmo na metrópole paulista ainda existem regiões, como Perdizes e Santana, em que profissionais liberais querem adquirir um escritório próprio perto de casa. "Temos três terrenos sendo negociados em bairros com esse perfil", revelou.

De acordo com o diretor, o negócio também abre um leque interessante para o pequeno poupador. Ele disse que apesar de a Yuni estar com o foco totalmente voltado a São Paulo, a empresa tem estudos sobre outras localidades brasileiras.

Em 2007, a companhia fechou uma joint venture com o fundo americano GoldenTree Insite Partners (GTIS) que resultará em um investimento de R$ 200 milhões na incorporadora brasileira.

Novo mercado

Percebendo o filão de mercado, a Alfa Realty Empreendimentos, que antes só atuava com empreendimentos residenciais, lança no mercado o Office Garden, no bairro do Alto da Lapa, também na capital paulista. São conjuntos de escritórios que variam de 35 a 385 metros quadrados, com preço médio de R$ 200 mil.
Segundo Eudóxios Anastassiadis, diretor da Alfa Realty, a empresa viu o potencial de regionalização dos imóveis comerciais. "A tendência agora é as pessoas trabalharem mais próximo de casa. Em bairros como Alto da Lapa, Mooca e Tatuapé, observamos uma demanda espontânea", analisou o executivo.

Outro fator que o diretor da Alfa também apontou foi o cenário econômico, ao concluir que "algumas aplicações financeiras não estão tão atrativas", o que faz com que a pessoas procurem por ativos mais seguros, como os imóveis. "Nossa herança luso-espanhola começa a falar mais alto", disse, sobre a tendência mais conservadora.

Anastassiadis confirmou que a intenção da empresa é investir em mais dois empreendimentos de imóveis comerciais, com esse perfil regionalizado. Além do atual lançamento no Alto da Lapa, ele mencionou outro projeto no bairro do Tucuruvi. "Esperamos crescer 50% este ano, comparado com 2008", calculou.

A Alfa Realty lançou seu primeiro projeto há oito anos, desde quando apresentou ao mercado um imóvel por ano, totalizando R$ 200 milhões em vendas, com uma absorção de 95% do volume. Agora, espera manter a performance nos próximos três.

As incorporadoras viram incremento na comercialização de edifícios de salas comerciais, devido à perda de rentabilidade de algumas modalidades de investimentos, como ações.