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MRV quer ser a primeira em galpão industrial

8/11/2010
Valor Econômico, 10 de Agosto de 2010 -  A MRV, maior construtora de casas populares do país, passa a disputar o mercado de imóveis industriais e comerciais - explorado por empresas como Bracor, BR Properties, Cyrela Commercial Properties e WTorre. A empresa retomou as operações da MRV LOG, subsidiária da companhia, criada em 2008, mas que não tinha destaque nos negócios.

A MRV contratou um banco de investimentos para ajudar na montagem do modelo operacional e para assessorar na estruturação de capital da subsidiária - possivelmente a instituição financeira já deve criar um modelo para separação dos ativos, seguida de abertura de capital. O banco deve ajudar na avaliação de modelos de financiamentos - seja capital, divida ou uma combinação. Os recursos da MRV não serão usados para financiar os projetos.

A MRV LOG já conta com cerca de R$ 200 milhões em ativos e deve ter disponíveis, ainda este ano, 70 mil m2 de área bruta locável (ABL). Ao todo, são 15 projetos com mais de 500 mil m2 de área para aluguel. A MRV, ao contrário de fundos que atuam na área, não pretende fazer "build to suit" - construção financiada sob medida - ou vender os imóveis. O objetivo é criar um portólio para aluguel.

A MRV LOG foi constituída em 2008 em sociedade com o fundo de investimento Autonomy. A saída do fundo, que tinha 35% da empresa de logística e 9,5% da MRV, na oferta de ações secundária realizada em julho do ano passado, deu à companhia a possibilidade de retomar o negócio livremente e com a intensidade que julga necessária.

A MRV voltou a comprar terrenos para construir centros de distribuição, condomínios industriais e logísticos no começo deste ano. Só no segundo trimestre, foram gastos R$ 26,1 milhões para aquisição de novos espaços. "Vamos aproveitar a experiência que temos na prospecção de terrenos, na aprovação de grandes áreas e na construção barata para sermos os players número um do setor", afirma Rubens Menin, presidente da MRV, empresa que quase dobrou a receita líquida no semestre, atingindo R$ 1,2 bilhão. O lucro líquido cresceu 116% no semestre.

Os galpões construídos pela MRV serão modulares, com mais de um usuário. Várias empresas de menor porte também atuam nesse modelo. A empresa já tem terrenos em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo (capital, Guarulhos, Hortolândia), Goiânia, Minas Gerais, Salvador, Recife e Fortaleza. Segundo Menin, o objetivo é usar terrenos muito grandes para uso misto: residencial, comercial (inclusive shopping centers) e industrial. A empresa já tem três terrenos - em São José dos Campos, Guarulhos e Vitória - que terão mais de uma vocação. "Só não vamos atuar no segmento de escritórios corporativos", diz o presidente da MRV.

Na opinião de Menin, a MRV LOG tem uma grande sinergia com o negócio de baixa renda. "A construção industrial é simples e parecida com a popular", diz. Apesar das sinergias, a empresa terá independência administrativa e financeira. A equipe - presidida por Sérgio Fischer, que está desde o início do negócio e há 14 anos na empresa - tem hoje 15 pessoas. Deve chegar, no máximo, a 30 pessoas.

Construtora dobra lucro no segundo trimestre

Maior operadora do programa habitacional do governo e principal companhia com foco na baixa renda, a MRV dobrou o lucro liquido no segundo trimestre, que chegou a R$ 150 milhões. A receita líquida, de R$ 705 milhões, teve alta de 81% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) foi de R$ 188 milhões no trimestre, alta de 93,6%. A margem Lajida foi de 26,8% e a margem líquida, de 21,3%, se mantém entre as mais altas do setor.

A renda familiar de três a seis salários mínimos - faixa onde está o maior subsídio do governo - correspondeu a 67% das vendas da companhia, que totalizaram R$ 981,9 milhões. Os lançamentos, de R$ 1,1 bilhão, foram concentrados no interior: 59%, contra 28% nas capitais e 13% nas regiões metropolitanas. Foram vendidas 16.408 unidades e o objetivo é atingir 40 mil até o fim do ano. "Estamos no meio do caminho, queremos mais que dobrar de tamanho", disse Rubens Menin, presidente da MRV.

O consumo de caixa subiu no trimestre, para R$ 219,4 milhões. Além do gasto de R$ 26 milhões para compra de terrenos para galpões industriais.

A mudança no processo da Caixa Econômica Federal (CEF) - no qual o crédito dos recursos, que era efetuado na assinatura dos contratos e ficava bloqueado até o registro no cartórios e passou a ser executado somente após o efetivo registro nos cartórios de imóveis - postergou a entrada de cerca de R$ 60 milhões no caixa - de R$ 450 milhões em junho.