Brasil Econômico, 20 de Agosto e 2010 - Os planos da Previ para o setor imobiliário são ambiciosos. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB) pretende ampliar sua participação no segmento dos atuais 3% para 5% do patrimônio líquido - hoje em R$ 144 bilhões – até 2014
E o primeiro passo foi dado na semana passada, com o aumento da participação no Shopping ABC.
O investimento feito pela entidade fechada de previdência complementar foi de R$ 175 milhões por 42,9% do capital do empreendimento, elevando para 91,3% sua participação no Shopping ABC, localizado em Santo André (São Paulo).
Desse total, R$ 30 milhões são recursos do plano Previ Futuro (mais recente, com 56 mil participantes) - em sua primeira atuação no segmento imobiliário - e o restante virá do Plano 1 (mais antigo, que conta com mais de 120 mil participantes entre ativos e inativos).
A Previ adquiriu a participação que o Centrus, fundo de pensão dos funcionários do Banco Central (BC), detinha no empreendimento.
"Como um dos sócios decidiu fazer o desinvestimento, exercemos nosso direito de preferência", explica Ricardo Flores, presidente do maio fundo de pensão da América Latina. Os outros sócios da Previ no Shopping ABC são Fundação Cesp (dos funcionários de empresas do setor elétrico) e BRMalls, administradora de shopping centers.
Outros 14 centros de compra fazem parte da carteira da fundação, espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Ribeirão Preto.
"Gostamos de investir em shopping centers por conta do fluxo de caixa gerado com aluguel e condomínio. E não devemos parar por aqui", avisa Flores.
"No setor imobiliário, nosso foco são empreendimentos de primeira linha, ligados à área comercial, e que estejam localizados no eixo Rio-São Paulo-Brasília", completa.
Divisão por plano
O aporte de R$ 30 milhões no Shopping ABC foi o primeiro feito pelo Previ Futuro no setor imobiliário. Com patrimônio de quase R$ 2 bilhões, o plano pode investir até 5% do capital acumulado em imóveis, o que corresponde a cerca de R$ 91 milhões.
Dessa forma, o plano ainda tem mais R$ 61 milhões para aplicar no segmento, com um limite de 2% por ativo investido.
Gestão mais rigorosa
A gestão de empreendimentos imobiliários já deu muito trabalho para entidades fechadas de previdência complementar.
Tanto é que no ano passado, a Previ lançou um código de governança na área imobiliária, semelhante ao código de governança no setor mobiliário.
"Esse é um ponto que tomamos bastante cuidado. Então tentamos priorizar empreendimentos em que possamos ter participação na gestão e desinvestir onde a participação não é relevante", pondera Flores.
O presidente da Previ citou como exemplo imóveis cuja participação do fundo de pensão seja em apenas um andar.
"Seguindo esta política, já fizemos o desinvestimento em 10 empreendimentos, sendo cinco apenas este ano", afirma.