Jornal do Commércio, 17 de novembro de 2008 - Enquanto boa parte das empresas reduz o número de lançamentos de imóveis, a incorporadora Klabin Segall e a construtora São José decidiram apostar numa estratégia ousada. No auge da crise, colocaram no mercado um empreendimento de alto padrão, cujo preço mínimo é R$ 4 milhões. "O estande ainda nem está pronto e já recebemos 300 visitas no lugar", diz o diretor de marketing e vendas da Klabin Segall, Paulo Porto. "Os clientes querem pagar à vista e aproveitar o momento para conseguir desconto."
Nos últimos 15 dias, a Lindencorp fez cinco transações à vista de imóveis de R$ 1,5 milhão. "O normal era ter uma compra à vista a cada dois meses. O cliente fala abertamente que está mudando de posição: tirando dinheiro de um lugar para colocar em outro", diz Maristella Val, diretora de incorporação da Lindencorp.
A regra não vale apenas para os imóveis residenciais. Os investidores também fazem suas apostas nos comerciais. Menos de uma semana depois de lançar um edifício em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, a Lindencorp já tem 40% das unidades reservadas. Detalhe: mais da metade das reservas foi feita por pessoa física "Curiosamente alguns produtos de escritórios foram todos vendidos no meio da crise", diz Pompéia.
Comprar na planta, na opinião do presidente da Tecnisa, Carlos Alberto Júlio, é uma forma de fazer o dinheiro render mais rápido. "Ainda nem lançamos um empreendimento na Vila Nova Conceição (bairro nobre de São Paulo) e quase 100% das unidades estão reservadas. Normalmente 50% vira venda. Mas vender metade de um prédio no lançamento é muito acima do normal. O comum é que isso ocorra em seis meses", explica Júlio.
Jornal do Commercio, 17/nov