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Gazeta Mercantil, 27 de novembro de 2008 - "Crescemos muito porque a população já se deu conta de que investir em imóvel é a forma mais segura de garantir a valorização do seu patrimônio. Já batemos todos os recordes de vendas e de lançamentos da história do mercado imobiliário baiano, e esperamos fechar 2008 com, aproximadamente, 15 mil imóveis vendidos", afirma otimista o presidente da Ademi-BA, Walter Barretto Jr.
Na avaliação de Barreto Jr., está mantida a expectativa de situar o mercado baiano em segundo lugar no ranking de vendas do Brasil." Para garantir o crescimento do mercado, contamos com financiamentos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal concedendo, aos nossos clientes, crédito com taxas de juros competitivas e prazos longos", diz.
Apesar de satisfeito com a expansão do mercado de janeiro a setembro, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Vicente Mattos é mais prudente quando avalia o desempenho do setor nos últimos três meses do ano, período que coincide com o agravamento da crise financeira internacional. "É possível que agora, no último trimestre, haja uma pequena desaceleração, mas a redução do ritmo de crescimento não afetará o excelente resultado do ano, que deve ficar em 14 mil unidades comercializadas."
Pela pesquisa da Ademi-BA, que acompanha as atividades de 100 incorporadoras, as vendas vinham num crescente este ano. No primeiro trimestre foram 3.083 unidades. No segundo, 4.186 e, no terceiro, 4.243. "A tendência seria de um volume ainda maior nos meses de outubro, novembro e dezembro, quando há a liberação do décimo terceiro salário, mas observamos uma redução de visitas aos estandes das construtoras em outubro, certamente por causa da crise financeira internacional", assinala Luciano Murici, diretor-técnico da Ademi-BA.
Murici sinaliza que o Salão de Negócios Imobiliários da Bahia, realizado de 9 a 19 de outubro, já foi um sintoma do impacto da crise internacional. "Embora tenha recebido um público de 26 mil visitantes, 8% superior ao do ano passado, teve um resultado de vendas inferior." Segundo ele, durante o evento, que tradicionalmente alavanca as vendas do último trimestre, foram vendidas 442 unidades contra 623 imóveis em 2007.
Mas a desaceleração do mercado imobiliário baiano no último trimestre de 2008 é avaliada positivamente pelo presidente do Sinduscon-BA, Vicente Mattos. Para ele, o ritmo estava muito intenso e a desaceleração funcionou como regulador de mercado para mão-de-obra capacitada, que ameaçava faltar, e para os insumos que começavam a encarecer. Na avaliação dele, as piores conseqüências da crise financeira para o setor seriam o aumento de juros e a redução dos prazos de financiamentos, o que, segundo ele, ainda não ocorreu.
Uma tendência apresentada pela pesquisa no terceiro trimestre de 2008 foi a maior procura por imóveis supereconômicos e econômicos, com valores entre R$ 50 mil e R$ 125 mil. "O déficit habitacional está concentrado justamente na faixa da população com menor poder aquisitivo e as construtoras estão desenvolvendo projetos para atendê-la", diz Luciano Murici.
Para o economista e consultor Armando Avena, continuará vendendo quem oferecer produtos para compradores com renda entre quatro e 10 salários mínimos. Com base em estudo da Fundação Getúlio Vargas, ele afirma que, de 2002 a 2008, 200 mil pessoas na Região Metropolitana de Salvador deixaram as classes D e E, ascendendo à C e atingindo uma renda dentro da faixa de compra dos empreendimentos econômicos e supereconômicos.
Fonte: Gazeta Mercantil |