Valor Econômico, 16 de outubro de 2009 - A BR Properties planeja investir até o primeiro trimestre do ano que vem os R$ 220,9 milhões obtidos recentemente por meio de um aumento de capital privado. Os recursos serão destinados, principalmente, a aquisições e expansão de imóveis comerciais, foco da atividade da companhia.
Os motores já estão aquecidos. A companhia anunciou, na semana passada, no dia seguinte à conclusão da capitalização, um investimento de R$ 79 milhões na compra de galpões industriais.
A companhia, que surgiu em 2006 como iniciativa da GP Investimentos, tem atualmente R$ 1,2 bilhão de patrimônio, fruto de 45 aquisições realizadas desde sua criação. São, no total, 44 empreendimentos em carteira - apenas um foi vendido.
Claudio Bruni, presidente da empresa, afirmou ao Valor que existem, em análise, cerca de R$ 3 bilhões em aquisições potenciais. "Mas, é lógico, que não realizaremos tudo. Esse é o total no nosso radar."
Historicamente, a empresa faz os investimentos metade com capital próprio e metade com dívida. Dessa forma, mantida a mesma proporção, o recente aumento de capital oferece uma capacidade de aquisição da ordem de R$ 450 milhões à BR Properties.
Essa foi a quarta capitalização do negócio desde sua fundação, incluindo o aporte inicial. A operação elevou a base acionária da empresa de 11 investidores para 16, incluindo agora João Roberto Marinho e José Roberto Marinho. Também entraram no capital da empresa os investidores Orsay Investments, RIT Capital Partners e Prima Investments. Eles se juntaram aos sócios anteriores, que incluem a gestora de recursos Dynamo, além da própria GP.
De acordo com Pedro Daltro, diretor financeiro e de relações com investidores, os acionistas anteriores responderam por aproximadamente dois terços do aumento de capital e os novos, por um terço.
A base acionária da companhia, com isso, é bastante pulverizada, a despeito de praticamente não haver negociação com as ações na bolsa. A companhia possui registro de empresa aberta e ações listadas. Contudo, não realizou oferta pública e as capitalizações foram todas resultado de aumentos de capital privados.
Bruni disse que não há uma meta para o tamanho da BR Properties. O objetivo da empresa é consolidar o segmento imobiliário comercial. Nos seis primeiros meses do ano, a empresa faturou R$ 65,8 milhões. No ano, deve apresentar receita pouco maior que R$ 130 milhões, resultado, principalmente, do aluguel dos imóveis detidos.