Extra, 23 de novembro de 2009 - Se, no passado recente antigos casarões eram demolidos para dar lugar a grandes e modernos espigões, hoje esses imóveis são vistos como o futuro da expansão imobiliária nos grandes centros urbanos - tanto pela iniciativa privada, quanto pelo poder público. E, para viabilizar esses empreendimentos, importou-se da Europa o conceito de retrofit. A palavra inglesa, que pode ser traduzida livremente como "ajuste retrô", consiste em reformar e modernizar um imóvel antigo por dentro, ao mesmo tempo em que são mantidas características originais da fachada. De acordo com Antônio Eulálio Pedrosa, engenheiro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), o retrofit tende a se popularizar por ser uma técnica que permite viabilizar um empreendimento com custos e prazos reduzidos. - É mais barato do que erguer um prédio novo. Isso porque você elimina os custos de fundação e de toda estrutura. Em relação ao prazo, também é mais vantajoso. Enquanto um prédio novo pode demorar até dois anos para ficar pronto, com o retrofit você resolve a obra em alguns meses - disse.
Não é apenas pelos custos e prazos menores que a popularização do retrofit deve se concretizar nos próximos anos. De acordo com Márcio Teixeira da Silva, engenheiro da construtora Rossi, a escassez de terrenos em áreas mais bem estruturadas de cidades como o Rio, por exemplo, também desperta o interesse das empresas de construção civil para a reforma de imóveis antigos. Atualmente, Silva coordena as obras do condomínio Park Laranjeiras, que utiliza o retrofit para transformar o interior de um palacete do século 19 em apartamentos de classe média no bairro da Zona Sul:
- A expansão imobiliária favorece o retrofit. E esse é um movimento que vai crescer com a escassez de terrenos livres na cidade.
O poder público também abraçou a técnica. A Secretaria municipal de Habitação do Rio já trabalha, há mais de uma década, em projetos de revitalização de casarões, que são destinados à moradia popular. Dentro do programa "Porto Maravilha", que pretende revitalizar a zona portuária, o órgão prevê a entrega de 499 unidades habitacionais em prédios reformados com a técnica de retrofit.