Valor Econômico, 04 de dezembro de 2009 - O grupo alemão Zech International comprou 80% da subsidiária da também alemã Hochtief no Brasil - principal plataforma da companhia na América do Sul. O negócio foi confirmado pela empresa, mas o valor da transação não foi revelado. A Hochtief, que está no Brasil desde 1966 e fatura cerca de US$ 20 bilhões no mundo, é considerada uma construtora tradicional no setor. Além de atuar na área de infraestrutura e na construção de fábricas, faz também prédios comerciais, residenciais, shoppings hipermercados, hospitais e centros de distribuição.
Em 2006, entrou na área de gerenciamento execução de serviços de operação e manutenção de empreendimentos, que chama de "facility management". Mas foi na área de energia, onde atua desde 2002, com a construção de PCHs -pequenas centrais hidrelétricas - que a companhia alemã começou a enfrentar problemas, como estouro de orçamento, e perdeu dinheiro no Brasil. Não foi a única. Outras empresas tiveram dificuldades ao entrar no setor, quase sempre em função da compra de projetos com problemas de licença ambiental, por exemplo. A matriz precisou fazer aportes importantes, acima dos R$ 50 milhões nos últimos dois anos, e acabou por decidir ficar como minoritária na operação brasileira. "É uma empresa muito séria, que conta com o suporte da Alemanha quando precisa", afirma fonte do setor. De acordo com informações disponíveis no site da Hochtief, o volume de serviços executados vinha crescendo de forma acelerada até 2007. Aumentou 78% de 2004 para 2006, quando atingiu R$ 378 milhões. No ano seguinte, teve o seu maior salto, quando dobrou de tamanho a atingiu R$ 719 milhões. No ano passado, porém - afetada pela crise e pela paralisação em massa de obras industriais - recuou para R$ 443 milhões. No final do ano passado, o saldo de contratos a executar era de R$ 570 milhões. Está fazendo a ampliação do Hospital Albert Eisntein e um de seus últimos grandes contratos que fechou foi a construção das três torres comerciais da JHSF no complexo Cidade Jardim. O grupo alemão Zech já estava presente no Brasil com operações de menor porte, na área de meio-ambiente. Em construção, detém uma participação na construtora gaúcha Tedesco. Em comunicado enviado ao Valor, a empresa afirma: "A Hochtief AG continua como acionista minoritária da holding da Hochtief do Brasil, sua principal representante da América do Sul, assegurando assim a manutenção de sua plataforma de negócios para grandes projetos de construção relacionados a infraestrutura e outros serviços do seu portfólio como concessões e parcerias público-privadas”.